O RETORNO COMO JOGADOR PROFISSIONAL DE POKER.

Por Fellipe A. Nunes

Desde o começo desse ano, eu vinha pensando em voltar a jogar. Era uma ideia que vez ou outra atravessava minha mente, mas, por diversas razões, eu a ignorava. Até que, em abril, recebi uma mensagem do meu sócio com um plano para que eu voltasse às mesas. Eu poderia seguir me atualizado como jogador profissional e fortalecer o FLOW, principalmente nos lives, ambiente no qual pouco atuamos desde o início do time. A ideia veio ao encontro das minhas vontades e, no mesmo dia, acertamos meu retorno como jogador regular. Passei a estudar como nunca.

Voltar não era apenas sobre jogar e vencer. Era também sobre aprender cada vez mais e ter uma postura de trabalho da qual eu possa me orgulhar.

Tenho obtido ótimos resultados desde então, tanto no online, quanto no live. Uma das coisas que percebi nessa volta é a enorme evolução técnica do field online. Mesmo os jogadores recreativos estão melhores do que há alguns anos. Já no live, ao mesmo tempo em que peguei mesas extremamente duras, encontrei outras nas quais consegui aplicar com mais facilidade as técnicas estudadas.

O mais importante dos resultados, desde meu retorno até agora, foi o 3° lugar no BSOP SP. Mesma etapa que, em 2011, consegui o título de campeão. Apesar de estar aberto a novas estratégias e estudando muito, considero que meus resultados nesse curto período são, também, casualidades.

Mesmo que minha dedicação esteja grande, é improvável que todos os resultados até agora sejam unicamente reflexo disso. Principalmente por ser um período ainda curto de retorno. Assim, evito criar grandes expectativas em cima desses números.

Para mim, o mais importante é conseguir manter a evolução no meu jogo, fazer um bom trabalho e dar meu melhor dentro das minhas limitações. Quero tornar-me um jogador respeitado mais pela qualidade técnica e por minha trajetória geral que por um ou dois grandes resultados.

Foi exatamente essa mentalidade que me ajudou no BSOP SP. Tentei focar nos aspectos técnicos das decisões e não me preocupar tanto com o resultado em si. Enquanto eu estava na mesa final, muitas pessoas comentaram que eu poderia vir a ser o primeiro bicampeão do BSOP. Eu ainda não havia pensado nisso… Quando a informação chegou a mim, pensei no cenário por alguns segundos, mas tentei afastá-lo logo depois. Quis evitar ao máximo pensar no prêmio ou em possíveis títulos. Meu foco era me concentrar, fazer o melhor possível e deixar o incontrolável fora da estratégia.

Durante a mão na qual saí do torneio, passei por uma grande mistura de sentimentos até que a última carta virasse. Mas logo depois consegui ficar bastante tranquilo. Me senti feliz por ter cumprido meu trabalho, conseguido dar meu melhor e colher esse resultado tão positivo.

Acredito que focar em ser um ótimo jogador, me dedicar e estudar muito pode trazer bons resultados a longo prazo.

Sei que preciso trabalhar duro e não posso me deixar levar pelos resultados conquistados até aqui, apesar de estar satisfeito com o que tenho obtido. Creio que ser um bom jogador profissional de poker é desfocar dos aspectos incontroláveis da profissão e trabalhar duro para dar nosso melhor naquilo que podemos controlar. 

Fellipe A. Nunes

Sócio fundador do FLOW Poker Team e jogador profissional de poker desde 2008. Foi campeão do BSOP SP 2011 e do evento #35-M do SCOOP 2013, no PokerStars. Chegou em mesas finais de diversos dos maiores torneios online, como Sunday Million, 500k do Full Tilt Poker e Sunday Brawl.
Já conquistou aproximadamente US$ 1.5 milhão em prêmios e grande destaque no cenário do poker nacional.

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