Poker não é sobre vitória

Em esportes individuais, a vitória não é a regra. Pelo contrário, a inevitável realidade da derrota é a lei matemática que impera nesses jogos. Você pode pensar que isso é óbvio, mas, na prática, no dia a dia de um profissional de torneios de poker, não parece tão óbvio assim.

Podemos criar rituais, nos preparar, estudar e revisar quantos dias quisermos, e em alguns casos encontrar jogadores com uma média de vitórias impressionante, mas temos que encarar as estatísticas. Uma delas, por exemplo, é a porcentagem de vezes em que os jogadores excelentes atingem a zona de premiação: em geral, algo em torno de 20%. Podemos até pensar em 30%, mas, ainda assim, zona de premiação não representa necessariamente uma vitória. Isso significa que, em 70% das vezes, um jogador muito bom sequer entra na zona de premiação.

Ainda assim, no fundo, o que todo jogador almeja quando entra em um torneio é a vitória. O segundo lugar, por melhor que seja, sempre vem com o gosto amargo de não ser o suficiente. Mas a vitória, no poker, é uma exceção distante. Essa realidade não é apenas do nosso tão amado jogo, mas se repete na maioria dos outros jogos individuais.

Portanto, para quem quer progredir nesses esportes sem se deixar levar pelo orgulho ou pela frustração, é importante ter objetivos mais sólidos e melhores do que a vitória.

Para quem vive da rentabilidade de suas decisões na mesa, focar apenas no primeiro lugar é um luxo descartável. Devemos adotar uma abordagem profissional, mais fria, buscando objetivos plausíveis, tanto financeira quanto tecnicamente.

Deixe um pouco a sede de vitória de lado e foque nos outros 99% dos resultados. Tente evoluir aceitando a realidade do quão distante é vencer torneios. Dizem que o lendário treinador da NFL Vince Lombardi decretou: “Vencer não é tudo, é a única coisa”. Bom, ele podia estar certo sobre seu time e sua situação, mas se um profissional de poker levar esse tipo de pensamento a sério, o melhor que posso dizer é que somos livres para criar nossas ficções, e essa é, certamente, uma delas.

Por Fellipe Nunes, membro da equipe FLOW

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